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    Cultura sem fronteiras: nigeriana pesquisa cultura afro-brasileira com o apoio da UEMG

    Nesta quarta-feira (03/07), a Reitoria da UEMG recebeu uma visita internacional. A nigeriana Goriola Olabanke Oyinkansola, estudante bolsista do Choreomundos, iniciativa que integra o Erasmus Mundus (programa de mobilidade acadêmica da União Europeia) e representa um mestrado internacional em dança. Oyinkansola está no Brasil desde o último dia 20, como pesquisadora visitante do Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes) / Mestrado em Artes da UEMG, sob orientação do professor da Escola de Música e coordenador do Mestrado, Luiz Naveda, e como o apoio da mestranda do PPGArtes Marina Fares.

    “Depois de minha visita a este programa [Choreomundos] na Noruega, em maio, para ministrar workshops, os professores de lá propuseram que ela viesse trabalhar comigo na captura e análise de movimento dos orixás no Candomblé”, relata o professor Naveda, que possui atuação na área de análise de movimento musical e coreográfico, utilizando computação aplicada ao áudio musical e dados de captura de movimento.

    “Minha pesquisa busca verificar a estabilidade de atributos e padrões de movimento nas danças dos orixás e como esses aspectos se relacionam às características de cada divindade e às formas pelas quais os praticantes de candomblé se comunicam com as entidades”, detalha Oyinkansola. Ela explica que, futuramente, pretende mapear esses movimentos em meios aos diferentes grupos africanos praticantes de candomblé que se espalharam pelo mundo no período da Escravidão Negra, a fim de verificar em que medida praticam as mesmas danças, quais são as diferenças e quais são os sentidos que permaneceram comuns apesar da distância no tempo e no espaço, intensificada com as imigrações forçadas pela escravidão de negros africanos, da Idade Moderna até o final do Séc. XIX.

    Curiosa por experimentar essa influência da cultura africana do outro lado do Atlântico, a oportunidade de vir para o Brasil despertou o interesse da nigeriana desde o início: “Estou no Brasil há duas semanas e sinto como se estivesse em casa. Numa conversa por telefone com minha irmã, falei com ela sobre Belo Horizonte. É como se estivesse em Lagos, que é uma grande cidade da Nigéria – onde há muitas pessoas, muitas coisas acontecendo, tecnologia, eventos –, só que com muito mais pessoas brancas. Mas vejo que a cultura africana está muito viva. Não sou brasileira, mas já me sinto parte daqui.”

    Um episódio marcante de identificação aconteceu em sua visita ao Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, no Bairro Santa Efigência, da capital mineira. Oyinkansola conta que, apesar de algumas diferenças, foi possível conversar com os moradores do local em iorubá, idioma falado em sua região de origem na Nigéria.

    “A chegada da Oyin me permite oferecer o arsenal metodológico que temos (sistemas de captura de movimento, video, áudio, análise, computação aplicada) para que uma africana venha estudar sua diáspora. As interações entre ela e o terreiro da mãe Efigênia [matriarca do quilombo e referência do candomblé e do movimento negro, na região] proporciona uma riqueza de trocas que, embora sejam parcialmente promovidas por mim, não têm nada a ver comigo. Promovo essa interação entre o candomblé e a África a partir de uma jovem pesquisadora sem ter que lançar de minha perspectiva ocidental e étnica neste processo”, comenta o professor Naveda, que também coorienta PhDs na Bélgica e Argentina, atualmente.

    Quanto às diferenças, Oyinkansola diz que se surpreendeu com a relação de proximidade entre os graduandos e docentes na UEMG, destacando o contato informal, a possibilidade de questionamento, o hábito de chamar o professor pelo primeiro nome. Situações que, segundo ela, poderiam ser interpretadas como falta de respeito na instituição em que se graduou na Nigéria – embora aqui ela manifeste o cuidado de não generalizar, ao dizer que, na verdade, existem outros perfis de universidade em seu país. Ainda sobre a experiência na UEMG, diversa da que vivenciou em sua graduação, acredita que essa maior abertura é favorável ao aprendizado: “Acho que é bom, pois amplia a abertura do diálogo”, avalia a estudante, que permanece no Brasil até agosto.

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